História da Cerâmica
Graças à pratica manual da cerâmica, há seguros 15.000 anos, a consciência humana adquiriu suficiente desenvolvimento estético. Modelada úmida, facilmente pode conservar a forma, endurecendo-se ao fogo, convertendo-se em um material irreversível à água. Esta propriedade da argila fez dela a matéria básica da arte. e da industria cerâmica. Devido às suas condições plásticas a argila encoraja quem a manuseia. A arte propriamente dita, ou seja, o tratamento estético aparece primeiro na modelagem de pequenas figuras de argila, pedras, ossos, madeira, já no começo do paleolítico superior. Milênios mais tarde, muito depois do florescimento da arte pictórica das cavernas já no neolítico, é que começam a aparecer os primeiros vasos e as primeiras vasilhas como uma atitude típica das culturas sedentárias e agrárias das aldeias.
Que instinto teria levado o homem primitivo ou indígena a tomar o barro em suas mãos e modelar uma figura ou um vaso? Como descobriu que ao fogo ela se reverteria novamente em pedra? Talvez com a mesma inclinação que uma criança de uma vila da miséria qualquer sem nenhuma escolaridade, nos fundões do nordeste brasileiro, consegue surpreender-nos com sua riqueza de expressão quando tomando em suas mãos um pedaço de argila consegue transformá-lo em arte. Mecanismos inconscientes ou atavismos enxertados? O que nos leva a usar as mãos e propormos uma atividade prática? Cada dia é maior o número de pessoas que sentem a urgente necessidade de expressar-se através de uma arte manual, total, integradora da personalidade, que ponha em funcionamento todo o sistema nervoso e até muscular. A mesma atividade que tem tão remota historicidade, a argila, ainda cumpre a função integradora, multifacetada que assombra se enumerarmos suas conexões. Tem a ver com formas, cor, textura... quando associada ao fogo e à arte de queimar. No científico cerâmico está ligada com a mineralogia, à cristalografia à arqueologia e às ciências antropológicas Tem diretas conexões com a psicologia da arte e a terapia psicológica; com a história da arte como suporte para esculturas e murais e mesmo como arte final. Hoje com as queimas de altas temperaturas, as peças adquirem a resistência de um mármore ou ás vezes mais que eles. Com a indústria e o artesanato não há dúvidas tratar-se de uma arte ciência implicada em todos os ramos e aspectos da cultura humana Uma característica fundamental é que qualquer alta caloria depende do auxílio da cerâmica.e a argila é a sua matéria prima. Sem ela não haveria nem dentaduras nem foguetes Escrever a história universal da cerâmica significa não só esclarecer os aspectos técnicos e formais que acompanham o desenvolver ou a sua evolução, senão também o mais importante que é o poder arrancar dos fragmentos mudos de uma vasilha arqueológica todo o conteúdo humano que existe por trás dela em cada período de tempo ; para chegarmos a construir o mais aproximadamente possível o mosaico que forma a vida mental e cultural dos verdadeiros ceramistas durante o seu trabalho. - É um panorama histórico apaixonante. Vemos o homem primitivo manifestar-se numa tosca figurinha de argila, sem queima, nos fins do paleolítico, colocando em evidência a instabilidade e a insegurança do seu espírito imbuído de uma mentalidade mítica sumamente ativa. 0 homem construindo-se a si mesmo através da historia.
A cerâmica é o material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um abrigo, como de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila.
A cerâmica (do grego κέραμος — "argila") é a atividade de produção de artefatos a partir de argilas, que torna-se muito plástica e fácil de moldar quando úmida. Após submetida a uma secagem lenta à sombra para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas que lhe atribuem rigidez e resistência mediante a fusão de certos componentes da massa, fixando os esmaltes das superfícies. A cerâmica pode ser uma atividade artística, em que são produzidos artefatos com valor estético, ou uma atividade industrial, através da qual são produzidos artefatos com valor utilitário.
A história da cerâmica acompanha a história das civilizações, desde a descoberta do fogo. A argila queimada é utilizada em todas as sociedades - das mais antigas às consideradas "primitivas", passando pelo Oriente e Ocidente - para a realização de objetos decorativos, utilitários e outros de fins rituais. Os estudiosos localizam as primeiras cerâmicas no século 5.000 a.C., na região de Anatólia (Ásia Menor), que passam a integrar, a partir daí, as mais diversas culturas, distantes no tempo e no espaço. Em cada uma delas, por sua vez, alcança diferentes segmentos sociais: das camadas mais pobres e inferiores na hierarquia social, aos estratos superiores. Na Grécia, entre 1.000 e 330 a.C., oleiros e decoradores, sempre homens, realizam peças de cerâmica, pintadas em geral com cenas de batalhas e de conquistas. A cerâmica chinesa, entre 550 e 480 a.C., liga-se à tradição religiosa, aos ritos e cultos.
A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse utilizada na construção de casas, de vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como "papel" para escrita.
Todos esses inúmeros usos são importantes para a Arqueologia que estuda a história das civilizações baseada em fragmentos desses utensílios.
Há cerca de 2000 anos, isto é, bem antes da descoberta do Brasil pelos portugueses, já existiam em nosso país populações que fabricavam cerâmicas, eram aldeias instaladas próximas a rios e ribeirões, vivendo da caça e pesca, cultivando determinadas plantas e capazes de manipular convenientemente o barro, produzindo uma gama variada de potes, baixelas e outros artefatos cerâmicos.
No Brasil, além do farto uso do azulejo na arquitetura de diversas épocas, é possível localizar uma ampla e variada cerâmica produzida por diversas sociedades indígenas, além de uma cerâmica popular, que toma a forma de objetos para uso corrente (por exemplo, a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais) e esculturas (os bonecos e cenas criados pelos artesãos e artistas da região nordeste, dos quais o mais célebre é Mestre Vitalino (1909 - 1963)). No norte do país, em Belém, apropriações do estilo art nouveau se mesclam às representações da natureza e do homem amazônicos em uma cerâmica pintada com grafismos da arte marajoara, que se popularizam em peças decorativas de Theodoro Braga (1872 - 1953), por exemplo. Se uma série de artistas entre nós fez uso da cerâmica de forma esporádica, a cerâmica artística vem sendo realizada por um grupo que se define prioritariamente como ceramistas, entre os quais se encontram Kimi Nii (1947), Norma Grinberg (1951), Ofra Grinfeder (1945) e Lygia Reinach (1933).
As peças de cerâmica mais antigas conhecidas por arqueólogos foram encontradas na Tchescolováquia, datando de 24,500 a.C. Outras importante peças cerâmicas foram encontradas no Japão, na área ocupada pela cultura Jomon há cerca de oito mil anos, talvez mais. Peças assim também foram encontradas no Brasil na região da Floresta Amazônica com a mesma idade. São objetos simples. A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse destinada ao armazenamento de grãos ou líquidos, que evoluíram posteriormente para artigos mais elaborados, com bocais e alças, imagens em relevo, ou com pinturas vivas que possivelmente passaram a ser considerados objetos de decoração. Imagens em cerâmica de figuras humanas ou humanóides, representando possivelmente deuses daquele período também são freqüentes. Parte dos artesãos também chegou a usar a argila na construção de casas rudes. Em outros lugares como na China e no Egito, a cerâmica tem cerca de 5000 anos. Tendo destaque especial o túmulo do imperador Chi-Huand-di e seus soldados de terracota. No Egito, a arte de vidrar é datada em cerca de 3000 anos a.C.. Colares de faianças vidradas aparecem entre as relíquias do 3o. milênio, juntamente com estatuetas e amuletos. O mais velho fragmento de cerâmica vidrada foi feito em policromia, trazendo o nome do rei Mens do Egito. Outras manifestações importantes na história da cerâmica foram os Babilônicos e os assírios que utilizavam cerâmica com ladrilhos esmaltados em azul, cinza azulado e creme e ainda relevos decorados (século VI a.C.), bem como os persas com sua fabricação de objetos em argila cozida em alto brilho, e das cores obtidas misturando óxidos metálicos, método usado ainda nos nossos dias. Com o tempo, a cerâmica foi evoluindo e ganhando os nossos dias, mas não sem contar com os esforços dos gregos, romanos, chineses, ingleses, italianos, franceses, alemães e norte-americanos. A esmaltação industrial teve início por volta de 1830, na Europa Central. Por muitos anos, as placas cerâmicas foram conhecidas como sinônimo de requinte e luxo.
Uma expressiva produção em cerâmica tem lugar nas artes decorativas dos anos de 1920, cujo marco é a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris, em 1925. O vocabulário art deco - termo que dá nome a esse estilo "anos 20", com suas linhas retas e formas geométricas a explorar motivos animais e formas femininas - se imprime na cerâmica produzida pela Companhia de Arte Francesa (1919), dirigida pelo arquiteto Louis Süe (1875 - 1968) e pelo designer André Mare (1885 - 1932). Para a Exposição de 1925, Süe e Mare criam um pavilhão que exibe objetos de decoração de interior, entre eles um enorme serviço de jantar em cerâmica. Aí também se fazem presentes relevos de cerâmica criados por Paul Véra (1882 - 1971). Uma cerâmica de inspiração art deco - especialmente objetos para interiores - sai do Ateliê Primavera, que se estabelece na famosa loja de departamentos francesa, Les Grands Magasins du Printemps. A Manufatura Nacional de Sévres, estabelecida no século XVIII, produz cerâmica de feitio art deco, recrutando artistas como Raoul Dufy (1877 - 1953) e Roberto Bonfils (1886 - 1971), entre outros, para decorar as peças. Ainda na França, nesse mesmo período entre guerras, a cidade de Limoges torna-se o centro mais importante de produção de porcelana, a ponto de o termo "limoges" se transformar em sinônimo de porcelana francesa em geral.
Na Alemanha, a cerâmica encontra abrigo na Bauhaus, por meio de diversos artistas como Theodor Bogler (1896 - 1968), Lucia Moholy (1894 - 1989), Marguerite Wildenhain (1896 - 1985) e Margarete Heymann-Marks (1899 - s.d.). As pesquisas formais e tendências construtivistas características da produção da escola criada por Walter Gropius (1883 - 1969) se apresentam em objetos de cerâmica de linhas retas e decoração sóbria, inspirada, do ponto de vista da decoração, no estilo desenvolvido por Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931): a pureza das linhas e o emprego de cores primárias. Na antiga Europa Oriental, mais precisamente na Tchecoslováquia, artistas e arquitetos da região da Bohemia - Vlastislav Hofman (1884 - 1964) e Pavel Janák (1882 - 1956) - produzem objetos utilitários em vidro e cerâmica que se particularizam por certo caráter monumental normalmente associado à arquitetura e à escultura. Fora de escolas, grupos e/ou movimentos, diferentes artistas experimentam a cerâmica, seja em objetos ou em esculturas.
Na Alemanha, a cerâmica encontra abrigo na Bauhaus, por meio de diversos artistas como Theodor Bogler (1896 - 1968), Lucia Moholy (1894 - 1989), Marguerite Wildenhain (1896 - 1985) e Margarete Heymann-Marks (1899 - s.d.). As pesquisas formais e tendências construtivistas características da produção da escola criada por Walter Gropius (1883 - 1969) se apresentam em objetos de cerâmica de linhas retas e decoração sóbria, inspirada, do ponto de vista da decoração, no estilo desenvolvido por Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931): a pureza das linhas e o emprego de cores primárias. Na antiga Europa Oriental, mais precisamente na Tchecoslováquia, artistas e arquitetos da região da Bohemia - Vlastislav Hofman (1884 - 1964) e Pavel Janák (1882 - 1956) - produzem objetos utilitários em vidro e cerâmica que se particularizam por certo caráter monumental normalmente associado à arquitetura e à escultura. Fora de escolas, grupos e/ou movimentos, diferentes artistas experimentam a cerâmica, seja em objetos ou em esculturas, ou somente decorando peças realizadas por outros. Alexander Archipenko (1887 - 1964), por exemplo, realiza algumas esculturas em cerâmica (Walking Woman, 1937, peça em terracota), assim como Bruno Munari (1907 - 1998), artista ligado ao futurismo italiano; Pablo Picasso (1881 - 1973), por sua vez, produz pratos pintados em cerâmica; Vassily Kandinsky (1866 - 1944) decora porcelana, criando desenhos para a State Porcelain Factory, de Leningrado, Rússia.
Graças à pratica manual da cerâmica, há seguros 15.000 anos, a consciência humana adquiriu suficiente desenvolvimento estético. Modelada úmida, facilmente pode conservar a forma, endurecendo-se ao fogo, convertendo-se em um material irreversível à água. Esta propriedade da argila fez dela a matéria básica da arte. e da industria cerâmica. Devido às suas condições plásticas a argila encoraja quem a manuseia. A arte propriamente dita, ou seja, o tratamento estético aparece primeiro na modelagem de pequenas figuras de argila, pedras, ossos, madeira, já no começo do paleolítico superior. Milênios mais tarde, muito depois do florescimento da arte pictórica das cavernas já no neolítico, é que começam a aparecer os primeiros vasos e as primeiras vasilhas como uma atitude típica das culturas sedentárias e agrárias das aldeias.
Que instinto teria levado o homem primitivo ou indígena a tomar o barro em suas mãos e modelar uma figura ou um vaso? Como descobriu que ao fogo ela se reverteria novamente em pedra? Talvez com a mesma inclinação que uma criança de uma vila da miséria qualquer sem nenhuma escolaridade, nos fundões do nordeste brasileiro, consegue surpreender-nos com sua riqueza de expressão quando tomando em suas mãos um pedaço de argila consegue transformá-lo em arte. Mecanismos inconscientes ou atavismos enxertados? O que nos leva a usar as mãos e propormos uma atividade prática? Cada dia é maior o número de pessoas que sentem a urgente necessidade de expressar-se através de uma arte manual, total, integradora da personalidade, que ponha em funcionamento todo o sistema nervoso e até muscular. A mesma atividade que tem tão remota historicidade, a argila, ainda cumpre a função integradora, multifacetada que assombra se enumerarmos suas conexões. Tem a ver com formas, cor, textura... quando associada ao fogo e à arte de queimar. No científico cerâmico está ligada com a mineralogia, à cristalografia à arqueologia e às ciências antropológicas Tem diretas conexões com a psicologia da arte e a terapia psicológica; com a história da arte como suporte para esculturas e murais e mesmo como arte final. Hoje com as queimas de altas temperaturas, as peças adquirem a resistência de um mármore ou ás vezes mais que eles. Com a indústria e o artesanato não há dúvidas tratar-se de uma arte ciência implicada em todos os ramos e aspectos da cultura humana Uma característica fundamental é que qualquer alta caloria depende do auxílio da cerâmica.e a argila é a sua matéria prima. Sem ela não haveria nem dentaduras nem foguetes Escrever a história universal da cerâmica significa não só esclarecer os aspectos técnicos e formais que acompanham o desenvolver ou a sua evolução, senão também o mais importante que é o poder arrancar dos fragmentos mudos de uma vasilha arqueológica todo o conteúdo humano que existe por trás dela em cada período de tempo ; para chegarmos a construir o mais aproximadamente possível o mosaico que forma a vida mental e cultural dos verdadeiros ceramistas durante o seu trabalho. - É um panorama histórico apaixonante. Vemos o homem primitivo manifestar-se numa tosca figurinha de argila, sem queima, nos fins do paleolítico, colocando em evidência a instabilidade e a insegurança do seu espírito imbuído de uma mentalidade mítica sumamente ativa. 0 homem construindo-se a si mesmo através da historia.
A cerâmica é o material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um abrigo, como de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila.
A cerâmica (do grego κέραμος — "argila") é a atividade de produção de artefatos a partir de argilas, que torna-se muito plástica e fácil de moldar quando úmida. Após submetida a uma secagem lenta à sombra para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas que lhe atribuem rigidez e resistência mediante a fusão de certos componentes da massa, fixando os esmaltes das superfícies. A cerâmica pode ser uma atividade artística, em que são produzidos artefatos com valor estético, ou uma atividade industrial, através da qual são produzidos artefatos com valor utilitário.
A história da cerâmica acompanha a história das civilizações, desde a descoberta do fogo. A argila queimada é utilizada em todas as sociedades - das mais antigas às consideradas "primitivas", passando pelo Oriente e Ocidente - para a realização de objetos decorativos, utilitários e outros de fins rituais. Os estudiosos localizam as primeiras cerâmicas no século 5.000 a.C., na região de Anatólia (Ásia Menor), que passam a integrar, a partir daí, as mais diversas culturas, distantes no tempo e no espaço. Em cada uma delas, por sua vez, alcança diferentes segmentos sociais: das camadas mais pobres e inferiores na hierarquia social, aos estratos superiores. Na Grécia, entre 1.000 e 330 a.C., oleiros e decoradores, sempre homens, realizam peças de cerâmica, pintadas em geral com cenas de batalhas e de conquistas. A cerâmica chinesa, entre 550 e 480 a.C., liga-se à tradição religiosa, aos ritos e cultos.
A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse utilizada na construção de casas, de vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como "papel" para escrita.
Todos esses inúmeros usos são importantes para a Arqueologia que estuda a história das civilizações baseada em fragmentos desses utensílios.
Há cerca de 2000 anos, isto é, bem antes da descoberta do Brasil pelos portugueses, já existiam em nosso país populações que fabricavam cerâmicas, eram aldeias instaladas próximas a rios e ribeirões, vivendo da caça e pesca, cultivando determinadas plantas e capazes de manipular convenientemente o barro, produzindo uma gama variada de potes, baixelas e outros artefatos cerâmicos.
No Brasil, além do farto uso do azulejo na arquitetura de diversas épocas, é possível localizar uma ampla e variada cerâmica produzida por diversas sociedades indígenas, além de uma cerâmica popular, que toma a forma de objetos para uso corrente (por exemplo, a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais) e esculturas (os bonecos e cenas criados pelos artesãos e artistas da região nordeste, dos quais o mais célebre é Mestre Vitalino (1909 - 1963)). No norte do país, em Belém, apropriações do estilo art nouveau se mesclam às representações da natureza e do homem amazônicos em uma cerâmica pintada com grafismos da arte marajoara, que se popularizam em peças decorativas de Theodoro Braga (1872 - 1953), por exemplo. Se uma série de artistas entre nós fez uso da cerâmica de forma esporádica, a cerâmica artística vem sendo realizada por um grupo que se define prioritariamente como ceramistas, entre os quais se encontram Kimi Nii (1947), Norma Grinberg (1951), Ofra Grinfeder (1945) e Lygia Reinach (1933).
As peças de cerâmica mais antigas conhecidas por arqueólogos foram encontradas na Tchescolováquia, datando de 24,500 a.C. Outras importante peças cerâmicas foram encontradas no Japão, na área ocupada pela cultura Jomon há cerca de oito mil anos, talvez mais. Peças assim também foram encontradas no Brasil na região da Floresta Amazônica com a mesma idade. São objetos simples. A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse destinada ao armazenamento de grãos ou líquidos, que evoluíram posteriormente para artigos mais elaborados, com bocais e alças, imagens em relevo, ou com pinturas vivas que possivelmente passaram a ser considerados objetos de decoração. Imagens em cerâmica de figuras humanas ou humanóides, representando possivelmente deuses daquele período também são freqüentes. Parte dos artesãos também chegou a usar a argila na construção de casas rudes. Em outros lugares como na China e no Egito, a cerâmica tem cerca de 5000 anos. Tendo destaque especial o túmulo do imperador Chi-Huand-di e seus soldados de terracota. No Egito, a arte de vidrar é datada em cerca de 3000 anos a.C.. Colares de faianças vidradas aparecem entre as relíquias do 3o. milênio, juntamente com estatuetas e amuletos. O mais velho fragmento de cerâmica vidrada foi feito em policromia, trazendo o nome do rei Mens do Egito. Outras manifestações importantes na história da cerâmica foram os Babilônicos e os assírios que utilizavam cerâmica com ladrilhos esmaltados em azul, cinza azulado e creme e ainda relevos decorados (século VI a.C.), bem como os persas com sua fabricação de objetos em argila cozida em alto brilho, e das cores obtidas misturando óxidos metálicos, método usado ainda nos nossos dias. Com o tempo, a cerâmica foi evoluindo e ganhando os nossos dias, mas não sem contar com os esforços dos gregos, romanos, chineses, ingleses, italianos, franceses, alemães e norte-americanos. A esmaltação industrial teve início por volta de 1830, na Europa Central. Por muitos anos, as placas cerâmicas foram conhecidas como sinônimo de requinte e luxo.
Uma expressiva produção em cerâmica tem lugar nas artes decorativas dos anos de 1920, cujo marco é a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris, em 1925. O vocabulário art deco - termo que dá nome a esse estilo "anos 20", com suas linhas retas e formas geométricas a explorar motivos animais e formas femininas - se imprime na cerâmica produzida pela Companhia de Arte Francesa (1919), dirigida pelo arquiteto Louis Süe (1875 - 1968) e pelo designer André Mare (1885 - 1932). Para a Exposição de 1925, Süe e Mare criam um pavilhão que exibe objetos de decoração de interior, entre eles um enorme serviço de jantar em cerâmica. Aí também se fazem presentes relevos de cerâmica criados por Paul Véra (1882 - 1971). Uma cerâmica de inspiração art deco - especialmente objetos para interiores - sai do Ateliê Primavera, que se estabelece na famosa loja de departamentos francesa, Les Grands Magasins du Printemps. A Manufatura Nacional de Sévres, estabelecida no século XVIII, produz cerâmica de feitio art deco, recrutando artistas como Raoul Dufy (1877 - 1953) e Roberto Bonfils (1886 - 1971), entre outros, para decorar as peças. Ainda na França, nesse mesmo período entre guerras, a cidade de Limoges torna-se o centro mais importante de produção de porcelana, a ponto de o termo "limoges" se transformar em sinônimo de porcelana francesa em geral.
Na Alemanha, a cerâmica encontra abrigo na Bauhaus, por meio de diversos artistas como Theodor Bogler (1896 - 1968), Lucia Moholy (1894 - 1989), Marguerite Wildenhain (1896 - 1985) e Margarete Heymann-Marks (1899 - s.d.). As pesquisas formais e tendências construtivistas características da produção da escola criada por Walter Gropius (1883 - 1969) se apresentam em objetos de cerâmica de linhas retas e decoração sóbria, inspirada, do ponto de vista da decoração, no estilo desenvolvido por Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931): a pureza das linhas e o emprego de cores primárias. Na antiga Europa Oriental, mais precisamente na Tchecoslováquia, artistas e arquitetos da região da Bohemia - Vlastislav Hofman (1884 - 1964) e Pavel Janák (1882 - 1956) - produzem objetos utilitários em vidro e cerâmica que se particularizam por certo caráter monumental normalmente associado à arquitetura e à escultura. Fora de escolas, grupos e/ou movimentos, diferentes artistas experimentam a cerâmica, seja em objetos ou em esculturas.
Na Alemanha, a cerâmica encontra abrigo na Bauhaus, por meio de diversos artistas como Theodor Bogler (1896 - 1968), Lucia Moholy (1894 - 1989), Marguerite Wildenhain (1896 - 1985) e Margarete Heymann-Marks (1899 - s.d.). As pesquisas formais e tendências construtivistas características da produção da escola criada por Walter Gropius (1883 - 1969) se apresentam em objetos de cerâmica de linhas retas e decoração sóbria, inspirada, do ponto de vista da decoração, no estilo desenvolvido por Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931): a pureza das linhas e o emprego de cores primárias. Na antiga Europa Oriental, mais precisamente na Tchecoslováquia, artistas e arquitetos da região da Bohemia - Vlastislav Hofman (1884 - 1964) e Pavel Janák (1882 - 1956) - produzem objetos utilitários em vidro e cerâmica que se particularizam por certo caráter monumental normalmente associado à arquitetura e à escultura. Fora de escolas, grupos e/ou movimentos, diferentes artistas experimentam a cerâmica, seja em objetos ou em esculturas, ou somente decorando peças realizadas por outros. Alexander Archipenko (1887 - 1964), por exemplo, realiza algumas esculturas em cerâmica (Walking Woman, 1937, peça em terracota), assim como Bruno Munari (1907 - 1998), artista ligado ao futurismo italiano; Pablo Picasso (1881 - 1973), por sua vez, produz pratos pintados em cerâmica; Vassily Kandinsky (1866 - 1944) decora porcelana, criando desenhos para a State Porcelain Factory, de Leningrado, Rússia.
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