Caderno do onze





República
Pássaros que são luzes
Arbustos que são prata
Becos escuros algures
Âmbito leite da nata

Escombros do holocausto
Caminho na estrada exalta
Ando descalço sem sapato
Pé no chão, minha pegada

Me salva !
Brindo aos estandartes!
Brindo a arte
Que outrora se foi!
Brindo o chifre de boi
Derruba as fronteiras
A barreira, é depois... (15/11/09)

Ver !
Vamos viajar agora
Pra caminhar na hora
De pensar lá fora
Pegar a estrada, namora

A bola bate na tabela
A lua canta a canção
Pra bela mulher da esfera
O homem pega na sua mão

Ter uma Ferrari é privilégio
Pra alguns sair do monastério
Mas alguém vai ser seu guia
Pela manhã ou fim do dia

Caminhos, viagens e encontros
Pra viajar não tem tamanho
Ceifamos as trevas, uma briga estranha
Passageira, passageira
E vai a canção na ribanceira... (17/11/09)



Olhos vãos
Meus olhos são de vampiros
E o sangue escorre pelo rosto
Um gosto me vem à boca
E o suor me cai ao corpo

A mente está embriagada
A madrugada trás o galo
Que canta desafinado, disparada
Eu corro pra pegar um atalho

Em casa eu sento no sofá
Um brinquedo que fala, falou
Embriago-me do orvalho que tarda
Mas não falha ao cair da tarde
Faço alarde com o vento que invade
Balança a janela e trapos
Pelo ar se vão
Como bolhas de sabão
Estouram no tempo
Mas que tempo?
É esse?

O último trem ...
No metro tudo é frio
Pessoas, versos, tudo tardio
O ultimo vagão
Sempre foi dos bêbados
Também reservado
Aos travestis
Que descem na São Judas
Estação dos necessitados
Embriagados e desesperados
Cheios de orações
Deixam os vagões
Pra se libertar
Assim acontece
Com quem pega
O último trem
Que demora pra chegar
E a todos acolhe
E que recolhe

É o cata louco
Vamos brindar
No último vagão
E agora
No Jabaquara
Estão anunciando:
Este trem será recolhido ! (27/11/09)

Sonhos, velejantes sonhos!
Não sei se o sonho é sonho
Nele, você vai me fazer feliz
Você manda em mim, e no meu nariz
Na minha mente é sorriso risonho

Tua incensasses me conduz algo
Que minha mente tenta captar
Algo doce, não amargo
Sinto o gosto ao te olhar

Teus olhos são meio tristonhos
Vejo lágrimas ao entardecer
Mas teu sorriso risonho
Me lembra um céu ao amanhecer

As vezes também eu fico triste
Sonho com coisas que não existe
Penso em você, o pensamento insiste
Andar por caminhos ele persiste
Outrora a tinta acabe
Outra folha se abre
Pra continuar a falar
De ti... ( 27/11/09)

Meus sonhos II
Teus sonhos não são meus sonhos
Teus sonhos são meio estranhos
Meus sonhos são pertinentes
Aos verbos que me vem a mente

Mas teus sonhos eu respeito
São confusos, são o espelho
Da tua mente que transita
De lado a outro no parapeito


Lá de cima vejo o verbo
Em uma nuvem está a vagar
No parapeito a vejo passar
Perto do coração, o verbo, bem perto

Mas teus sonhos não são meus sonhos
Teu sorriso é meio estranho
Ri de longe sem ter tamanho
Ri de mim, eu suponho

Troco de travesseiro pra sonhar
Mais tranqüilo, o verbo pensa
Pensa naquilo, mais tranqüilo... (27/11/09)

Ventos
Vou aonde o mar me leva
Onde a vida o embeleza
Onde as brumas são espumas
E o vento lindas plumas
Minha vida vai ao vento
Ao léu, o trovão ressoa a loa
Leoa ruge ao vento um recado
De algum Deus tristonho
Que um dia se foi...
Deixou notícia da Letícia
De um tempo de algures
Notório sistema de rima
Costumes alguns cantos
Nostálgicos e singelos
Agora se vão pela janela
Vai o vovô com seus chinelos
O mar está revolto e o sol se foi
Surf nas ondas ficou pra depois
Fecho a janela, o vento é forte
Vento que vem do sul
E acaba no norte... (28/11/09)


Segue a linha do trem que já partiu. Ele se vai ao longe e só se vê a fumaça. O menino olha pela janela, pela vidraça , o passado que ficou na última estação. Vai canção, vai! Leva ao léu, tudo que meditou. Vai buscar um novo caminho. Pássaro vai fazer ninho. Ovos estrelados no chão após vento matreiro roubá-los do ar. Arvores farfalham a um novo olhar. Brilhos risonhos e tristes lembranças. Planetas explodem e perdem a esperança. Mundos se foram e brincar nunca mais. A paz agora é um riso falso de canto de boca que toca uma gaita e a nota é pouca. Suave destino que a tino se foi. Buscar, nunca mais, nunca mais... (28/11/09)


Eu amo viver
Qual o limite do seu olhar por cima do mar quer andar passadas largas e barreiras romper. Amar mulheres e campos com a espada brindar o guerreiro. Somos todos os teus filhos. Estamos vibrando por isso! Pela tua fama somos irmãos e a canção se vai ao longe. Brindemos o caos do amor. Sejamos simples e sinceros. Você é linda porque é jovem. Eu sou velho mas te amo. A beleza é intransponível e será inelegível de acordo com aquilo que você pensa. Mulher pensa e homem busca. Alguma coisa estranha está no ar. No sétimo ou no primeiro andar. (29/11/09) Niver do pai.

Agora
Vejo crianças correndo
Na praia de areia branca
Elas vão correndo
Conchas brancas e estrelas
Ele vai pisando
E a espuma do mar
Borbulhando as ondas
Vão se formando
Brisa bateu nos olhos
Trouxe um pensamento em vão
Lembrei-me de meu irmão
Que outrora se foi
Deixou seu recado e se foi
Agreste ao leste, agora é festa
Estou louco a beça
Quase perco a cueca ingresso na vida
Com meu passaporte
Talvez algum momento
Eu dou sorte...

O mundo é fantástico
É um show da vida
Largo a vida desprovida
Viro um maluco lunático

Pulo pra lua do meio da rua
Brinco de amarelinha agora
Jogo pedra, augusta madura
Pra jogar o jogo não tem hora

Todos são bem vindos amigos
Vamos sonhar todos juntos
Brindar o meu drinque contigo
Eu e você e outros somos muitos

Mas nosso tempo acabou
Nossa hora agora chegou
Viajar no tempo é o momento
A cápsula se abre ao tornado

O caminho sempre é um só
Aquela brisa que te leva ao pó... (1/12/09)

O leito é calmo e amargo é o tempo que não deixa de existir. Aonde vou dormir hoje?
Minha cama me aguarda em qualquer lugar. Vale a pena recusar o sonho? Nada vale mais por nada. Os cânticos são outrora brincadeiras de uma espada colorida em uma ponte de cristal. Veleja o barco tristonho tamanho o caroço que engasgo. O perdão é a brisa que ressoa seus versos em meu ouvido. Vai e canta meu estandarte... (17/11/09)

Lira dos 30 ! Viva o Lira !
Trinta anos do Lira Paulistana. Isca de Polícia, Paulo Lepetit, Susana Sales, Vange Mieliet, Gigante Brasil e Itamar Assunção, que já se foram. O Itamar, por acaso, falei com ele uma semana antes dele falecer. Emoção à flor da pele. Arrepios, cloros e risos. Palmas, muitas palmas no show dos 30 anos do Lira Paulistana no Teatro Anchieta. A Vanguarda Paulistana se foi. Sobrou Ana Elis. A sombra de Itamar era notada atrás da bateria. Ele me olhou com os olhos esfumaçados. Ousados...
Não sei como cheguei ali, naquele porão. Tinha ido com o Negão do Paranga até o Lira Paulistana. Ia tocar nesse dia o Isca de Polícia com o Itamar Assunção. Pagamos o referente a Dez reais e descemos. Os anos eram 80 mas as pessoas eram 70. Tudo era Underground. Bem Underground. Era noite de Lua cheia... (18/11/09-Viva o Lira)

Escrevo pelo dom de escrever. Ver nos versos universos que são transpostos. Agora são buscas noturnas em céu sem lua. Mulheres reversas e nuas, princesas noturnas no meio da rua. Mas o que tu procura? Agora me vou augures ao vento. Meus verbos são verbos que ao solo eu agüento. Correndo com as minhas pernas procuro chegar em algum lugar. Próximo a canção e cantinho pra amar. Soltar o verbo, que é cantiga de ninar. Vais buscar o que sempre buscou porque nunca tentou.
Tudo é fantástico. O mundo, o globo , cheio de fanáticos. Hoje comemoramos Vila Lobos e ninguém lembrou do meu amigo. Plínio de Santos, Marcos de amargura. Costumava encontrá-lo nas bocas de Santos, na zona, sentado nos bordéis, principalmente no Lovy Story da General Câmara, repleto de putas a sua volta. Ali ele escreveu Querele, depois foi até uma catraca e fumou uma erva. Depois eu o vi escrever no banheiro do Lovy , alguma coisa sobre putas, que ele adorava escrever. Já até o vi com veados, aconselhando-os, não sei o que. Veado era coisa séria em Santos, já o dizia o Dudu do Gonzaga, célebre veado assassinado por um policial, seu amante, em Ilha Bela, litoral Norte. Ficou por isso mesmo. Mas hoje também é dia da consciência negra e Yara vive...
Quero desenhar um céu risonho. Um céu que não tem tamanho. Algo estranho de se ver mas lindo de se admirar. Cheio de detalhes, ondas do mar, nuvens no céu e castelos na areia e muita brisa soprando. Alguém andou por sobre um cavalo, nu. Alguém com um cabelo bem longo e preto. Talvez loiro ou ruivo. Talvez uma negra cheia de sorriso. Talvez eu, mas sem motivo. Talvez um sonho, mas que seja risonho e cheio de graça. Na praia ou na praça ou em qualquer lugar.
Hoje teve um sarau na Ação Educativa e recitei um poema. A rapaziada está afiada. A língua do negro não perdoa a discriminação. Não é pra menos. O que os brancos fizeram para a sociedade, para o mundo, mas a culpa é de todos. Todos têm uma parcela de culpa. Ela não é só minha mas não adianta se poupar. A melhor coisa é falar. Botar pra fora o que se sente, as angústias, as somatórias de situações do dia a dia. Mas, ando meio cansado de tudo isso, discriminação em pleno século vinte. Quero andar de Jeep por aí e ser feliz como todo mundo. Quero saúde e dinheiro, filhos e netos, mulher, pai e irmãos, amigos e minha arte sempre ao meu lado, meus poemas e meu estandarte, amo a arte a amo a todos e peço: “me compreendam...” ( 27/11/09 2h10)

O mar vaga em lembrança soturna
Como caracóis, penetram bem fundo
Na mente vazia e noturna
Caminhos que levam a outro mundo

Singelo é o ventre que luta
Brigando na rua, chamando de truta
Está sozinho, oh! Dora mundo
Tua saga, enfim um dia traçada
Derradeiro caminho
Desafia um moinho
Ter Sancho Pança
Como um qualquer
Canção de criança
Canção de mulher

São negros os sonhos
São tristes, risonhos
Loucura não tem tamanho
Resolve, o estranho
Caminho a traçar
Tentando andar
Num tempo qualquer
Até amanhecer
Buscando mulher
Assim bem depois
Procuro encontrar ( 3/12/09)

Viagens que são sonhos
Alguns tristes
Outros risonhos

Pra buscar não se tem tamanho

Tua pura e nua lambida tez
Bolhas de embriaguez
Por tontos troncos risonhos
Tamanhos troncos se vão
Em barrancos
Com solavancos
Teus tamancos
Tremem aos versos
Tristonhos
Límpidos momentos... (3/12/09)

Vamos viajar além do momento
És tu o firmamento
Repleto de nostalgia
Que algum dia irão dizer
Que outrora acontecer
Vagas, viagens e encontros
Sóis, vagas viagens agora
Não são mais primórdio
Que tua lembrança em sonho
Vamos suprir o universo
Albergue, algo algures
Quase queres mulheres
Bem loucas salivas algures

Vagas, viagens e encontros
Buscas que não tem tamanho
Alguma coisa pulsa
Meu coração não é ilusão
É busca sem direção
Teu olhar uma vastidão
Semblante inócuo
Espírito nobre na estrada
Plenitude e póstumo semblante
Aquele que brinda orgasmo
Com sangue

Todos temos lemas
Que são alguns temas
Que buscam dilemas
Seremos sereno vago
Pra alguém
pagar o pato

não tento mais chorar
mas tento amar
por algum tempo
tento não ser nojento
por isso agüento tanto
solavanco
mais que embriagues
por isso sou freguês
dos verbos, suponho
serem transpostos
apostos apostólicos
melódicos e fosfóricos
algures angus
púrpuras lisérgicas
metafóricas
lembranças
somos crianças
e pensamos
como crianças...

Chove !
Chove chuva que não passa
Lambe a terra, que de molhada
E úmida, não repara
Que pra ir a ti pela escada
Estalo versos da mente quieta
Pulsando neurônios me escapa
Alguns fragmentos da capa

Olhos nos olhos brancos e ovais
Sentimentos lambidos por chuva voraz
Temendo o passado algum dia voltar
Lembranças e agouros, mentes atrás

Mentiras dormentes agora sagaz
Canções que são tristes
Existem talvez
Depois a chuva irá te molhar
Em fim dissolver
E na terra morar (8/12/09)

Caminhos
Caminho na chuva tristonho
Com o sol estaria risonho
Ao vento me sinto estranho
Na brisa não tem tamanho

Canções que se vão ao léu
Pra chuva eu ponho o chapéu
Os versos que são meu
E ventos que os levam ao céu

Espaço da vaga lembrança
Duma torre e mulher de trança
Cabelos que ao vento dança
Aos olhos, paixão que não cansa

Os sonhos riscam orvalho
Pétalas que ao mundo eu espalho... ( 10/12/09)

Permeia, ouvi a fina luz brindar com algures quaisquer. Mulheres que buscam nos homens a brisa que afina seus véus. Mas na escuridão o tempo não reside. Insiste que o véu é suposto cúmplice do momento que já se foi. Por isso devemos cumprir desconfiando do calçado que nos deram para vestir. Marcando as nossas pegadas com a paixão de viver cada momento. (9/12/09)
Agora ouço passos que se vão. Estardalhaços chutando macumba ou ouvindo romba eu vou contando os passos. Eu traço o mapa da vida pela quantidade de ferida que não cicatriza, e inferniza um tempo que foi embora. Já fumei tudo, o que sinto, bebi da pinga ao absinto, insisto com olhos vorazes que são capazes de usar você ao extremo. Lavar a alma perante um Deus supremo, que supre o supra sumo de um sumo que engulo com a saliva, dada por uma amiga, dádiva de uma amiga tentando salvar um barco que se foi ao léu que se foi ao véu... (11/12/09-1h39)

Mas a busca é o caminho
De um pássaro além do ninho
Procurando seu destino
Caminhos do sol a pino

Enquanto as estrelas chegam
Um novo mapa irá saudar
O que te leva além do mar
Pra em terra firme estarem

Lá, bandeira será posta
Tremulando ao véu de outrem
Mesmo opositor, que dela não gosta
Seus inimigos ficarão além

Sua terra está demarcada
E conquista, enfim acertada
Procriar a tribo, sair da enrascada
Novo mundo, a rota foi determinada. (11/12/09-1h51)

Estou no alto de uma escarpa
Olhando o crepúsculo ao longe
Dessa vida ninguém escapa
Da amalgama que em nós tange

Mergulhar no universo é sina
Romper barreiras determina
Virar pássaro metamorfoseado
Flores no deserto se transformando

Ninguém fica pra semente
É transpor a fresta do mundo
Concentrar toda sua mente
Ir pra frente, bem fundo

Brisa e pó tem razão
Samba é pra multidão
Risos e circo já tem hora
Acabo a reunião, é agora

Vão pra casa adolescentes
Nega veia e sem dentes
Garotos sem procedentes
Frustrando os seus amores
Dores, dores, cheios de dores

Promessas que se foram em vão
Pro esgoto, pra tubulação
Pra levantar, não tem uma mão
Pra cair, basta um empurrão

Dores, dores, são todos atores
Pois brincam com tua sina
São calejados, tomam vacina
De tão esperto, não sentem dores

Amores, amores eles são cheios
São atores sem recheios
Brincam com as dores, as dores
Cheios de flores, e amores
Que agora são dores, simples dores
Dores... (11/12/09 – 2h24)

Noite, sempre noite
Galhos estão na cabeça
Estribeiras ao compasso
A puta faz estardalhaço
Loucura que é bom a beça

Não esqueça de olhar o relógio
Ver a vida e a hora certa
Pedir um rango é bom a beça
Nos bosques que são ingleses
E não sabem tardar
Mostrar os versos
Que suponho mostrar...

Graças a Deus somos perfeitos
Temos lá nossos defeitos
Singelos trajetos
Doce, eu espreito
Augustos, angustia
Indigesta nefasta brisa
Que cura a ferida
De um tempo qualquer
Final de mês da mulher
Na merda da semana qualquer
Com o tempo não nos encontramos
A não ser por uma vida melhor

Que ela mal nos represente
Reprima todos os versos
que por mais singelos
nunca se opõem a uma mulher

Falam do pré sal
Do homem de Nenderthal
De pessoas do bem
E das do mal

Daquelas que querem transpor
Alguma busca ou uma dor
Supor que algo persiste e insiste
Na busca de um testemunho qualquer
O pior é o que vem da mulher
O melhor, ninguém supôs.

Talvez busquemos algo assim
Quem sabe você lembra de mim
Porem, tua augusta sorte e fé
E no teu caminho alguém
Vai cutucar tua mulher
Vai sacar ou embriagar
até o firmamento

Olhar nos olhos do destino
E fazer um juramento
E vou até o final
Pois, a final eu digo
Que sou homem e posso transpor
Todos os velhos universos

Acaso minha vida termine em versos
E a conversa é aquela, que ninguém esquece. (12/12/09)

Tudo nada vaga
Lembrança esperança
Criança de trança
Pergunta da crença
Alguém quer cantar
Amar os versos
Romper a lei
Eu sei do universo
Alguém falei
Dos versos supremos
Tua mente, lembrei
Eu sei que busco
A muito persisto
No verbo qualquer...

Agora penso que vou
Com minhas lágrimas enxergar
Olhando o céu além do mar
Postado na areia eu estou
Buscando nuvens solitárias
Pássaros verdejantes
Asas libertárias
Momentos sublimes
Augustos “ensaits”
De “vipes” visão e ação
Bruma que consome
Determina o tempo
Da vigência
Quer emanar
Até o tempo acabar
Onde você, pode mergulhar
Achar a pedra
Ou uma estrela
Tua busca é assim
Assim é que começa
Mas isso, é bom a beça... ( 12/12/09-0:00)

Ventos tangem uma canção sucumbindo
O homem rema o barco ao rio subindo
Transpôs o arco, bebe o chá amargo
Deixa o escárnio em brumas
Leve voa o vento e retarda plumas
Quão lembranças quaisquer, algumas
Canções que são do tempo
Romper almas eu agüento
Voláteis campos de consumo
Brincar, eu assumo
Brinco e deixo brincar
Crianças, esperança
Que voltam ao lar. ( 12/12/09)


Falou o grande ateu
Nem pato nem judeu
Onde o crente se meteu?
Andando de barco agora
Ou chutando Nossa Senhora
teu dinheiro está lá fora
e o sossego está bem pago
mando e tiro tudo na hora
envolvidos no crime
ai de mim se negro
eu discrimine.

Imagine um sonho
Com príncipe encantado
Voto descoberto
Brinde enlatado
Volúpia n’alma
Mas muita calma
Que um belo dia
Vai estar a Federal
Bem ali, ao seu lado

Busca, busca, busca...

Versos são universos
São entes dispersos
Em brumas eu converso
Falando de lua na rua
Da canção minha e tua
Do que se está pra fazer
De dia ou amanhecer



Dos versos e estandartes
Das canções que são arte
Por isso faço a minha parte
Não espero nada da arte
Guerreiro, é o que tenho
Do caminho que eu venho
Buscar o que eu amo
E o que eu como (13/12/09)

Buscar algo !

As flores são buscas puras
São versos de loucas amarguras
Que pensam ao certo sobreviver
Vencer o tempo ao amanhecer

As flores também murcham um dia
Fogo consome a mente tardia
Lembranças do dia e da nostalgia

Não vale lembrar o passado
Do dia na frente, do dia ao seu lado
Se ao menos tu quiser,
Pois tu ainda és, minha mulher... (13/12/09)

Dez pra depois...
Vermelho é cor de sangue
Verdes são nossos versos
Azuis são os universos
Que o amarelo o mundo tange

Marrons de vários tons
Das árvores em fim caídas
Buzinas de altos sons
Arvores em bancos nas avenidas

Onde sentam os tolos nostálgicos
Contando vantagens dos sonhos
Vidas póstumas de brindes mágicos
Sorrisos inócuos e risos anônimos

Não vale tardar o riso
Que é louco ligeiro
Sorrateiro e destemido
Passa além despercebido
De um vento no banheiro (15/12/09)

Somos cafajestes mas estamos na vanguarda. Alguns pensam que somos loucos, outros que somos estranhos. Nos embrenhamos nos bosques. Muitas vezes à nossa própria sorte. Buscando a vida e evitando o inevitável que é a morte. Com sorte tem sorte e pode romper o algo ou salto no universo quântico, ao alcance de teus olhos. Oh! Que olhos.
Que sonho besta é esse que parece algum lugar para medir com intensidade mas pra tudo você tem que fazer um teste. O mundo está ficando cheio de lixo. Em todo canto ele está. Favelas se formam e a desilusão entre as pessoas que moram em conglomerados. Nas favelas os homens colocam os seus testículos a mostra. São machos vindos do nordeste com seus culhões cheios de ódio. Machismo e o desrespeito à mulher. Depois de sua morte, sobra ela para cuidar dos filhos como empregada doméstica e é só. Sustentar o vício dos filhos foi o que de ti, herdou.
Teu sonho não é meu sonho. Sonho sem tamanho. Proponho uma trégua, na qual ninguém propôs uma guerra, e ninguém se entrega para o barão, que tudo vê ilusão. Saudades são inócuas e transpôs propostas inúteis e sem graça, barreiras não ultrapassa e alcança a vida com o bote da plenitude do ser, ao lindo alvorecer. (16/12/09)

Copenhague
Quem são os homens do tempo
Qual é o cabo e qual o sargento
Em que grupo está Copenhague
Pois lá ninguém age!

Obama vai chegar e dizer
O que todos tem que fazer
Parar o mundo, mexer no clima
Ao presidente do mundo restou a sina

Insistem no buraco de ozônio
Detalhes que não tem tamanho
Pessoas juntas, o clima é estranho
Delas depende todo o milênio

Vai chegar até extraterrestre
Com a salvação ou a peste
Da reunião, sem decisão
Essa, ninguém merece... (18/12/09-1h56)

Meus olhos olham o céu
Estrelas que eu busco
A sina responde ao léu
Meus versos me dão susto

Me espanto com o que falo
São palavras pertinentes
Ao verbo doce, eu entalo
Angustias que nascem latentes


Procuram representar
Uma canção que ladra
Em um futuro que tarda
A mensagem apresentar

E se um dia tristonho
Alguém vier lembrar
Que falei do antimônio
Metal forjado no mar
O mar que vale lembrar
Do dia que estive contigo.

Meus olhos são teus olhos que buscam um momento desperto além da fogueira que se apaga e não deixa restos de cinzas sopradas a um vento qualquer , que quer a mulher bem singela e nostálgica, além desses mares e dessas ondas, onde rolam espumas desvairadas sobre um templo repleto de mulheres nuas que querem amar! Somos Deuses na exuberância das criaturas que tem a angustia de um Deus qualquer. Mas cadê a mulher? Cadê a mulher... (19/12/09)
Sonhos, sonhos, vivo a sonhar. A vida é linda como o mar que é infinito e profundo e nos mostra como é o mundo. Palhaço que quer amar e viaja no circo até encontrar sua alma gêmea e se completar. Deixar de fazer palhaçadas e ser um ser normal, trabalhar com carteira assinada, mais um babaca na praça, inútil ser humano sem graça. Chama um motorista de táxi e volta pra sua casa.

Risonhos olhos

Olhos risonhos e sombrios
Canções que vão e vai
Cantar nos becos a fios
Pois quem entra nunca sai

Olhos que são tristes se vão
Além do léu e do pão
Que tu comes, ou não
Memórias do tempo
em bolhas
de sabão
crianças brincam na pracinha
uma delas é a minha
gracinha e bela, eu a tinha
agora cresceu, não é minha
mas seus olhos são risonhos
mesmo que aparentam tristonhos
vida sua representa
apenas os meus sonhos... (20/12/09)

risonhos olhos de flame, íris
do estandarte á pátria amada
do teu sorriso, inspiração
espere, eu vou levitar...
subi aos céus além das estrelas
buscas, momentos lisérgicos
guerra, é a perda da razão
razão de ir e vir
além do mar e do mau tempo
tempo, não nos deixa pensar
chove, mas que chuva é essa?
Não lava a ferida que não sara
Seca, mas não sangra
Com o suor dos ventos... (20/12/09)

Quero que o sonho vire vida
Que cure qualquer ferida
Esqueça o passado tristonho
Pense no futuro, futuro medonho
Não tenho medo de nada
Cabeça em pé aqui na quebrada
Meus verbos são meus estandartes
Eles são a pura arte
Inspiração que vem de marte
Canções que se vão ao léu
Por isso sou Marcel céu
Minha arte é meu estandarte

Tudo o que é inesperado
Me deixa preocupado

Vamos, vamos viajar
Lembranças do mar
Estrelas e pensamentos
Aonde vou? Não sei dizer. (20/12/09)

Acredito em Papai Noel. Naquele velhinho que faz feliz as crianças do planeta repleto de gnomos que ajudam o bom velhinho a levar presentes para as crianças. É bonito e é real porque elas acreditam no Natal. Afinal, não é todos os dias que se faz 50 anos de vida, não é? ( domingo, depois que a seleção feminina de futebol ganhou o mundial paulista)
Arvores ao redor. Ramos com fadas brincam ao suor. Tilintam espadas que sangram, algumas passam além da busca desdém, fortalezas que são véus que se vão ao léu, mas tristes brincam as árvores tristonhas, ramos que brincam tamanho é o estandarte com pássaros que de tão risonhos, nunca iríamos perceber... (11/12/09)
Conheço o futebol quando o vejo. É algo bonito de se ver. Algo que enche os olhos.

Pessoas fazendo malabarismo com a bola. Dançando sobre ela, pulsando versos sonoros e líricos versos que são brisa, que cura a ferida mas fere a alma destemida, contaminada pela vida aflita que frita o peixe do cosmo que agora se vai e bebe o vinho de Baco, que tira o cabaço num só embalo. Amargo como o fel de ovos qualquer. (22/12/09)

Como quereis que eu morra?
Trancado em uma masmorra
Enquanto lá fora a vida
transcorra...
Mas, como quereis que eu sofra?
Por levar a vida intensamente
Pela mente criativa e alucinante
Por criar cada momento fascinante
Enquanto a bomba não pulsa
E a repulsa pelo verbo não vem
Nem de metrô nem de trem
Mas vai além do simples verbo
Que te quer meu ser
Ó linda mulher... ( 22/12/09-23.30)



Anjos do coração
Existe alguma coisa no meu peito
Que está sempre com defeito
E foi feito por você
Que é o parafuso mais confuso
Pra engrenagem sobreviver
E pra consertar esse defeito
Pois em cada peito de um homem
Existe sempre uma mulher
E uma solidão pra encontrar
Botar um óleo e lubrificar
Limpar as veias
Limpar as teias e voar
Pra encontrar com esse amor
Que é sonho derradeiro
Cola mais que cola
De sapateiro
Mais que goma
De umbuzeiro
Nunca mais vai se soltar
Mas isso é coisa do passado
Hoje vivo ao seu lado
Você é minha mulher
E tenho hoje a consciência
De que aquilo foi demência
Que eu quero esquecer
Que um dia tive você
E minha vida hoje é parte
Levo a carga no meu peito
É a sina não tem jeito
Ê, com ela vou morrer.
Pra esquecer esse passado
Só você bem ao meu lado
O que me resta é lembrar
Mas esquecer esse passado
Só você bem ao meu lado
Nunca vou te esquecer
Nunca vou te esquecer...

De tempo ao tempo
O tempo é o vento
Que bate na cara
Deixando rugas
Na tua alma
Mantendo a calma
Dos mares tardios
Que cantam
Na areia vadia
E tarda
Mas não falha
Dá um tempo
Seu tempo nojento
Que quer brincar comigo
Mostrar em desatino
Que desde pequenino
Lá atrás, bem menino
Sempre tive um desafio
Ser filho do tempo
Do signo de saturno
Homem velho e soturno
Sábio e vagabundo
Sentado na pedra
Olhando o mundo
Que mundo imundo
Giramundo

II
Tal pedra do holocausto
Com o tempo ao seu encausto
Pedra viva, tempo vivo
Corre e não agride
Trasnpôe muralha de pedra
Com o tempo não se quebra
A mim me aflige muito
Em mim não causa mimo
Tempo que ensina e determina
Quem vai viver ou morrer
Pedra a pedra, pão ao irmão
Quanto tempo para amar
Ao grande rio se curvar
Alçar a rota do tempo
Cantar na morada em solo
Febril, ardente que chora
Angustias do tempo
A espera da hora... (Marcel céu-5/9/08 – quando meu neto completou 2 meses)


Desafio
Senhor que traça o destino do mundo. Quebre as querelas do tempo imundo, que em um segundo, quer detonar esse agouro profundo. Oh! Doramundo, profundo no tempo vira segundo a fundo e profundo a qualquer minuto quer a mulher. Viva o tempo que eu não agüento! Fermento que ressalva o jumento, que eu agüento o tropeço, quão a angústia exalta o samba, na caçamba de um tempo qualquer! Cadê mulher?
Ou se come com o garfo, ou com uma colher... (7/8/08)


Caderno Do 11


Marcel céu

Comentários

Anônimo disse…
oi marcelo, vc deixou um comentário na promoção o pandeiro tá na mão! obrigado por participar, mas fica a dica: nem todos os nomes que vc respondeu estão corretos, além disso vc citou apenas 4 figuras, e são cinco ao todo. Espero que volte a participar da promoção, e dessa vez não esqueça de deixar nome completo e e-mail no comentário!! abraço!

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